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Revista de Arqueologia

ISSN 0102-0420, 1982-1999Since 1983BrazilDOAJ listed
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Revista de Arqueologia on SciRah

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Landmark papers in Revista de Arqueologia

  1. Sobre a indigeneidade das paisagens

    William Balée

    2008Revista de Arqueologia67 citations Open access

    Indigeneidade se refere às maneiras tradicionais de conhecimento do mundo, imersas em culturas de pequena escala. Pode ser detectada em transformações primárias da paisagem, onde enriquecimento em espécies resultaram em melhorias ambientais, não degradação. Paisagens são encontros de pessoas e lugares. Indigeneidade torna-se relevante para as paisagens como final do isolamento da Europa e a redução dos “outros” não-ocidentais a novos sistemas de subordinação, como a escravidão, e a classificação de suas terras como terra nullius. Essas paisagens, de fato, mostram assinaturas humanas de transformações primárias do passado. A evidência consiste na modificação do substrato e vegetação que indicam alteração, e é encontrada em diversos locais com condições bastante diferentes, como a Melanésia, Micronésia, África tropical e Amazônia. Essas paisagens indígenas de terra e mar foram consideradas terra nullius por motivos não relacionados ao seu valor como sinais de uma variedade positiva de transformação primária da paisagem.

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  2. entidade arqueológica goya-malabrigo (ríos paraná y uruguay) y su filiación arawak

    Gustavo G. Politis, Mariano Bonomo

    2012Revista de Arqueologia60 citations Open access

    Este artigo resume e discute a entidade arqueológica Goya-Malabrigo (González, 1977; Ceruti, 2003) à luz da nova informação gerada no Delta Superior do rio Paraná e no Paraná Médio. Este trabalho tem como objetivo caracterizar esta entidade, apresentar alguns novos traços distintivos e ajustar sua cronologia. Além disto, se propõe integrar-la à arqueologia de bacia inferior do Prata num contexto mais amplo: o da dinâmica cultural das Terras Baixas Tropicais da América do Sul. Para isto, se sintetizam os modelos de expansão ou “diáspora” arawak que têm desafiado os mecanismos clássicos de migração e que estão enfocando a compreensão dos processos de etnogênese. Finalmente, se discute a filiação arawak da entidade Goya-Malabrigo, retomando a proposta inicial de Nordenskiöld (1916) com base nas novas pesquisas sobre os modos de dispersão deste grupo etno/linguístico.

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  3. tradição cerâmica Itararé-Taquara

    Astolfo Gomes de Mello Araújo

    2007Revista de Arqueologia37 citations Open access

    Neste artigo é feita uma breve discussão dos conceitos de “fase” e “tradição” e suas implicações no entendimento das áreas de distribuição de vestígios cerâmicos relacionados ao que se chama de Tradição cerâmica Itararé-Taquara, presente no sudeste e sul do Brasil. São apresentados novos dados relativos à Tradição Itararé-Taquara, provenientes do Estado de São Paulo. Com base nesses dados, são propostas algumas hipóteses para se entender a origem e dispersão dos grupos humanos detentores dessa tecnologia cerâmica.

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  4. Sexualidade e Teoria Queer

    Fabiano Gontijo, Denise Pahl Schaan

    2017Revista de Arqueologia35 citations Open access

    Este artigo parte de várias perguntas e inquietações que dizem respeito ao lugar dos estudos sobre sexualidade na arqueologia brasileira. Iniciamos apresentando a relação entre os estudos de gênero e os estudos de sexualidade, um pouco do legado da crítica feminista na formação da teoria queer e da perspectiva construtivista em bioarqueologia no que diz respeito às (re)considerações de sexo, sexualidade e gênero. Em seguida, mostramos como se instituiu, ao longo da década de 2000, nos Estados Unidos e nos países de língua inglesa em geral, o que vem se convencionando chamar de queer archaeology ou uma arqueologia informada pela teoria queer. Por fim, terminamos com a análise da exígua produção brasileira sobre sexualidade no âmbito da arqueologia e exortamos para que um campo de estudos de sexualidade comum à arqueologia e à antropologia seja constituído no Brasil.

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  5. Longa duração e territorialidade da ocupação sambaquieira na laguna de Santa Marta, Santa Catarina

    Andreas Kneip, Deisi Scunderlick Eloy de Farias, Paulo DeBlasis

    2018Revista de Arqueologia30 citations Open access

    Este trabalho versa sobre a ocupação da região da laguna de Santa Marta, litoral sul catarinense, por grupos construtores de sambaquis. O período considerado vai aproximadamente de 7.5 a 0.9 cal ka aP, ao longo do qual a região esteve continuamente ocupada pelos grupos sambaquieiros. O resultado mostra que a dinâmica do processo de construção de sambaquis na região pode ser dividida em fases, uma de expansão, entre 7.5 e 3.0 ka aP, e outra de retração, de 3.0 a 0.9 ka aP. Ao longo de todo o período percebe-se um padrão de agregação dos sítios, com a região sendo particionada e compartilhada por vários focos de ocupação. Este padrão de territorialidade se manteve ao longo do tempo.

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  6. The Archaeology of Environmental Change – Socionatural Legacies of Degradation and Resilience

    Aline Vieira de Carvalho

    2010Revista de Arqueologia29 citations Open access

    Podemos compreender o livro The Archaeology of Environmental Change - Socionatural Legacies of Degradation and Resilience, editado pelos pesquisadores Cristopher T. Fisher (professor associado de Antropologia da Universidade do Estado do Colorado), J. Brett Hill (desde 2002 vinculado ao Centro de Arqueologia do Deserto), e Gary M. Feinman (Curador do Museu de História Natural de Chicago e coeditor do Journal of Archaeological Research) como uma referência singular para os estudos das sociedades em tempos de alta modernidade.

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  7. Novas perspectivas na reconstituição do modo de vida dos sambaquieiros

    Rita Scheel-Ybert, Sabine Eggers, Verônica Wesolowski, Cecília Carlucci Petronilho +4 more

    2003Revista de Arqueologia26 citations Open access

    A reunião de dados originais e de revisões da literatura, numa abordagem multidisciplinar praticamente inédita na arqueologia brasileira, forneceu subsídios para um melhor conhecimento da sociedade sambaquieira. Análises antracológicas permitiram a reconstrução paleoecológica do ambiente costeiro, além de prover informações sobre a economia do combustível nesta sociedade e sua dieta. Análises paleopatológicas revelaram aspectos importantes do modo de vida dos sambaquieiros e de sua relação com o meio ambiente. A combinação dos resultados destas duas disciplinas, associadas a análises líticas, apontou para um espectro econômico e de subsistência bem mais amplo do que se supunha anteriormente, confirmou a importância das plantas para esta sociedade e forneceu bases mais sólidas para o debate a respeito de manejo e cultivo de vegetais.

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  8. Geoglifos da Amazônia ocidental

    Denise Pahl Schaan, Martti H. Pärssinen, Alceu Ranzi, Jacó Cesar Piccoli

    2007Revista de Arqueologia25 citations Open access

    Diferenças ecológicas entre os ambientes de várzea e terra firme (terra para agricultura, acesso aos recursos ribeirinhos e navegação) têm apoiado interpretações dos povos de terra firme como horticultores de coivara semi-sedentários, que nunca desenvolveram complexas instituições sociais ou cultura material elaborada. Esse artigo desafia essa posição, ao reportar a existência de centenas de estruturas de terra perfeitamente geométricas erigidas por populações pré-colombianas nos solos argilosos da Amazônia ocidental, no Estado do Acre e adjacências. Os geoglifos, como estão sendo chamados, indicam uma população expressiva, organizada regionalmente, vivendo por centenas de anos em um habitat que foi uma vez considerado como inadequado para sustentar complexidade social. Levantando algumas hipóteses sobre os construtores de geoglifos, os autores argumentam por uma revisão do modelo ecológico à luz das novas evidências.

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  9. Da pré-história à história indígena

    Jorge Eremites de Oliveira

    2003Revista de Arqueologia25 citations Open access

    Nesta tese de doutorado o autor analisa criticamente a história e a historiografia da arqueologia pantaneira, desde a segunda metade do século XIX até fins do século XX, e aborda o processo de ocupação indígena das terras baixas do Pantanal, desde os primeiros pescadores-caçadores-coletores do período pré-colonial até os atuais canoeiros Guató. O objetivo maior é contribuir para a composição de uma história indígena total, em seus múltiplos aspectos e perspectivas espaço-temporais, a partir de uma abordagem interdisciplinar que emprega procedimentos teórico-metodológicos próprios da arqueologia, antropologia e história. Para tanto, foram utilizados dados contidos em fontes textuais diversas, informações recolhidas a partir da tradição oral dos Guató e os resultados de pesquisas arqueológicas, etnográficas e etnoarqueológicas. Foi possível demonstrar que a arqueologia pantaneira tem sido pautada pelo estudo de povos pescadores-caçadores-coletores, associados à macro tecnologia ceramista conhecida no Brasil como tradição Pantanal e a estruturas monticulares do tipo aterro, os quais se estabeleceram na região muito antes do início da Era Cristã. Nos dias de hoje, a arqueologia pantaneira reflete as mesmas mudanças de nuance constatadas para a arqueologia brasileira desde a década de 1980. Nos séculos XVI, XVII e XVIII, período de muitas disputas entre Espanha e Portugal pelo domínio do alto Paraguai, foram produzidos vários relatos que atestam a existência de um extraordinário mosaico sociocultural no centro da América do Sul, inclusive de um complexo de povos canoeiros formado por sociedades cultural e lingüisticamente distintas. De todas essas sociedades, a dos Guató é a mais conhecida do ponto de vista etnoistórico e etnológico, estando tradicionalmente organizada em grupos domésticos ligados por laços de consangüinidade, descendência e afinidade, relacionados a um particular sistema de patrilocalidade e patrilinearidade.

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  10. Crítica feminista, arqueologia e descolonialidade

    Loredana Ribeiro

    2017Revista de Arqueologia24 citations Open access

    O texto discute a intrínseca relação entre colonialismo, ciência e dicotomia de gênero. A partir de temas e problemas das (ditas) arqueologias pré-histórica e histórica, enfatiza a participação da disciplina na legitimação e naturalização das concepções modernas de sexo e gênero. Discute também a institucionalização dessas assimetrias na arqueologia brasileira, defendendo a necessidade de uma arqueologia feminista e descolonial que expresse as particularidades da disciplina e sujeitos nela envolvidos.

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  1. Relações de pesca no Sambaqui de Camboinhas – Niterói/RJ: uma análise ictioarqueológica

    E Yanes Barroso, Anderson Marques Garcia, Camila Cupello, Michelle Mayumi Tizuka

    2026Revista de Arqueologia0 citations Open access

    O Sambaqui de Camboinhas tem sido objeto de pesquisas arqueológicas desde a década de 1970. Considerando principalmente sua localização no setor Lagunar do Parque Estadual da Serra da Tiririca, entre a praia de Camboinhas e a Lagoa de Itaipu, insere-se no Complexo Arqueológico Lagoa de Itaipu, importante área de estudos sobre o povoamento do estado do Rio de Janeiro. Tendo em vista a proximidade desse sítio com a praia e a Lagoa de Itaipu e sua correlação com os primeiros habitantes do estado, esta pesquisa tem como objetivo demonstrar a relação entre tais povos de Camboinhas e a ictiofauna encontrada no sambaqui, com o intuito de esclarecer questões relacionadas à pesca, à manipulação da fauna e à forma que a presença humana é percebida através da ictiofauna. Como resultado, foi possível obter novos níveis taxonômicos para a ictiofauna desse sítio, além de novas interpretações sobre a cultura material do Sambaqui de Camboinhas.

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  2. Arqueologia e cuidados: representação do passado, atividades de manutenção e práticas acadêmicas

    Sandra Montón‐Subías, Marianne Sallum, Maria Cecília Silva Lima

    2026Revista de Arqueologia0 citations Open access

    A arqueologia feminista se concentra em subverter o patriarcado através da representação do passado. As representações convencionais do passado atuam como modo de violência simbólica, porque naturalizam a desigualdade entre homens e mulheres e reproduzem o cisheteropatriarcado. Este artigo centra-se na proposta de atividades de manutenção como alternativa a essa lógica cultural, destacando o caráter estrutural de uma série de práticas cotidianas atravessadas pelo cuidado e pela atenção ao outro, sem as quais a vida seria impossível. O artigo incide muito especialmente na relação interpessoal entre aqueles dão e recebem cuidados para afinar a demarcação do conceito. A arqueologia das atividades de manutenção coloca em jogo uma racionalidade distinta daquela patriarcal neoliberal, revelando sua particularidade histórica, reparando os silenciamentos historiográficos que tem ocasionado e oferecendo representações alternativas e melhores que, por sua vez, influenciam um novo tipo de racionalidade pública no presente. Isso inclui necessariamente as práticas acadêmicas hegemônicas.

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  3. A transmissão cultural de grupos associados à tradição Tupiguarani explicada através da cladística

    Glauco Constantino Perez, Astolfo Gomes de Mello Araújo, Mercedes Okumura, Ethan E. Cochrane

    2026Revista de Arqueologia0 citations Open access

    Métodos provindos da Biologia Evolutiva vêm sendo aplicados à Arqueologia para compreender mudanças culturais. Este estudo utilizou a cladística para analisar 523 atributos cerâmicos de catorze sítios Tupiguarani em São Paulo, investigando padrões de transmissão e dispersão cultural. A análise de máxima parcimônia, associada ao Non-metric Multidimensional Scaling (NMDS), ou Ordenação Multivariada Não-Métrica, revelou agrupamentos regionais, distinguindo litoral e interior, além de diferenças entre as bacias do Tietê e do Paranapanema. Os índices de Consistência (0,54) e Retenção (0,38) indicam herança filogenética, enquanto comparações entre sítios datados e não datados sugeriram cronologias inéditas. Os resultados apontam diferenciações internas entre os sítios arqueológicos a partir de um ancestral comum.

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  4. A indústria osteodontoquerática do Sítio Afonso Garivaldino Rodrigues, Brochier/RS

    Gabriela Sartori Mingatos, Mercedes Okumura

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    O sítio Afonso Garivaldino Rodrigues (RS-TQ-58), situado no município de Brochier/RS, é um sítio arqueológico que foi ocupado ao longo do Holoceno inicial e médio por caçadores-coletores e, no Holoceno final, por grupos ceramistas. A boa preservação das camadas estratigráficas dess sítio permite que potenciais mudanças, ou continuidades, na frequência e no tipo de artefatos possam ser observadas ao longo do tempo. Este artigo tem como objetivo apresentar a indústria osteodontoquerática associada a grupos caçadores-coletores desse sítio, incluindo tanto os artefatos feitos em ossos quanto os artefatos feitos em chifres. Com isso, propomos uma tipologia para esses artefatos e a cadeia operatória envolvida em sua fabricação . Dados obtidos apontam para uma estabilidade cultural durante o Holoceno inicial.

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  5. A resiliência de Caçadores-Coletores do Primeiro Planalto Paranaense no Holoceno Recente: estudo de caso do Sítio Floresta das Imbuias (PR CT 104)

    Nicolle Guedes

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    Floresta das Imbuias é um sítio arqueológico datado entre 686-700 anos cal AP, contexto este que oferece a oportunidade de estudar uma indústria lítica, tipicamente associada à tradição Umbu, durante um período de interação com populações ceramistas. Esta pesquisa tem como objetivo contribuir para a compreensão de estratégias tecnológicas de grupos Umbu e investigar sua estabilidade cultural ao longo do tempo. O método adotado incluiu análises líticas e testes estatísticos. Os resultados apoiam a hipótese da persistência de tradições tecnológicas de caçadores-coletores associadas à Tradição Umbu no Holoceno recente, evidenciando a resiliência e a capacidade de adaptação estratégica desses grupos em um cenário de crescente complexidade social e territorial na região.

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  6. Uma discussão crítica da hipótese Goya-Malabrigo/Arawak e de algumas bases para a investigação arqueolinguística

    Fernando Orphão de Carvalho

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    Este trabalho tem como propósito apresentar uma avaliação, a partir de uma perspectiva linguística, da proposta de associação “arqueolinguística” entre a entidade arqueológica Goya-Malabrigo e a família linguística Arawak. A conclusão é essencialmente negativa e ocorre em dois sentidos principais: no primeiro, observamos que a proposta é limitada, pois não permite qualquer tipo de inferência a respeito dos eventos históricos subjacentes à expansão da família linguística Arawak nos seus limites meridionais; no segundo sentido, percebemos que a hipótese oscila entre uma caracterização étnico-arqueológica, por um lado, e linguística, por outro, do rótulo “Arawak”, e se ampara de forma tênue sobre a presumida existência de um pacote coeso de tradição cultural (o chamado “ethos Arawak”). Em um tom mais positivo, apresentamos também o que nos parece ser a abordagem mais frutífera para se tratar da busca de convergências entre a linguística histórica e a arqueologia na investigação do passado humano: trata-se da abordagem “processualista”, inaugurada e desenvolvida, em estudos de caso particulares, no trabalho de arqueólogos como Colin Renfrew e Peter Bellwood. Terminamos com algumas observações embrionárias e otimistas a respeito de alguns desenvolvimentos que estão atualmente em curso nesse campo interdisciplinar.

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  7. A toca da entrada do Baixão da Vaca: evidências da adaptabilidade humana às mudanças hidrogeológicas e climáticas no bioma da caatinga

    Leandro Surya, David Eleuterio, Claudia Caro, Paulo José Pereira +3 more

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    Este texto aborda as discussões realizadas sobre as transformações hidrogeológicas e climáticas do Parque Nacional da Serra da Capivara e suas repercussões no acervo rupestre, tomando como referência os dados atmosféricos coletados durante o quadriênio 2021-2025 no sítio Toca da Entrada do Baixão da Vaca. Evidenciamos a adaptabilidade dos grupos de caçadores-coletores, pois identificamos a existência de fauna fluvial nos registros rupestres, o que testemunha a reconfiguração do ecossistema e a ocupação dos paleocanais do Desfiladeiro da Capivara. Os dados demonstram que o equilíbrio ecológico vem sendo alterado por processos naturais e antrópicos: degradação do solo, perda da cobertura vegetal e aumento das variações térmicas. Com isso, percebemos a necessidade de políticas integradas de gestão dos recursos hídricos, restauração ecológica e adaptação climática, em prol da conservação do patrimônio rupestre.

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  8. As tecnologias líticas na bacia do rio Piancó-Piranhas-Açu no Rio Grande do Norte, Brasil

    Anne Caroline Barbosa dos Passos, Kayann Gomes Batista, Anne Noemi França Miranda, Luiz Carlos Medeiros da Rocha +1 more

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    Este artigo tem por objetivo apresentar a variabilidade das indústrias líticas identificadas em três contextos distintos na bacia do rio Piancó-Piranhas-Açu, mais precisamente nos sítios arqueológicos Cuó, no município de Ipanguaçu/RN, Pendências II, no município de Pendências/RN, e o conjunto de sítios Oiticica, em Jardim de Piranhas/RN. Destaca-se que, mesmo se tratando de coleções de sítios localizados a céu aberto e que, até o momento, não têm dados cronológicos atribuídos, entende-se que a análise desses conjuntos demonstra potencial para contextualizar a variabilidade tecnológica refletida na seleção de matérias-primas, nos métodos e nas técnicas de lascamento e nos instrumentos produzidos dentro do recorte analisado. Nos sítios Cuó e Pendências II, observa-se um sistema técnico com cadeias operatórias consideradas elaboradas, baseado no uso do silexito e na produção de instrumentos unifaciais façonados. Já os sítios Oiticica apresentam indústrias com o aproveitamento de seixos de quartzo e quartzito para as produções.

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  9. Exploração de aves na costa do Atlântico Sul: evidências zooarqueológicas e tafonômicas durante o Holoceno Inicial–Médio

    Diego Dias Pavei, Suliano Ferrasso, Breno Ferreira Fontana, Luiz Miguel Ghedin +2 more

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    O Sítio Arqueológico Rua do Papagaio (Sarp), localizado no litoral de Santa Catarina, apresenta datação entre 8.600 e 5.469 anos A.P. e exibe uma rica taxocenose avifaunística em contexto de sambaquis, conforme sua composição estratigráfica. A análise identificou 695 espécimes (NISP) e 132 indivíduos (MNI), com destaque para Spheniscidae (Spheniscus magellanicus) e Diomedeidae (Thalassarche sp.), além de Phalacrocoracidae, Procellariidae e Cathartidae. Predominam aves marinhas costeiras de médio e grande porte, exploradas pelo potencial cinegético e pelo aproveitamento de subprodutos, como ossos destinados à confecção de artefatos. As assinaturas tafonômicas incluem processos bioestratinômicos (ex. meteorização), antropogênicos (ex. queima e marcas de corte) e processos diagenéticos (ex. marcas de raízes), refletindo tanto dinâmicas naturais quanto atividades humanas associadas ao consumo e ao descarte. O estudo amplia o conhecimento sobre o uso de aves e as estratégias de subsistência dos grupos costeiros durante o Holoceno Inicial e Médio.

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  10. Usos de tecnologias arqueológicas na construção de um futuro resiliente

    Luana Cristina da Silva Campos, Diogo Menezes Costa, Aline Vieira de Carvalho

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    O conhecimento ancestral é a chave para a capacidade de um futuro mais adaptado, resiliente e resistente ante os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Nesse sentido, este artigo busca, em diálogo com a história do conceito de cultura e com o debate sobre “culturas arqueológicas”, sustentar que a materialidade registra processos de adaptação, resistência e resiliência, podendo orientar políticas públicas mais justas e realistas diante de perdas inevitáveis. Como estudos de caso, analisa-se (i) a engenharia dos engenhos movidos à maré na Amazônia, interpretada como “memória hidráulica” potencialmente inspiradora para a descentralização energética e (ii) os aterros Guató no Pantanal, compreendidos como tecnologias ancestrais de ocupação resiliente, articulando patrimônio arqueológico, manejo ambiental e saberes tradicionais em um projeto aplicado. Conclui-se que o patrimônio cultural deve ser tratado como agente dinâmico de transformação e que integrar ciência, tecnologia e conhecimentos comunitários é decisivo para “adiar o fim do mundo” e fortalecer futuros sustentáveis.

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