Perfil epidemiológico dos casos de Doença de Chagas aguda no Estado do Pará, Brasil, de 2015 a 2023
J. C. Rodriguesa, Thaís Almeida Carona, Thayara França Pereiraa, A. J. Martins
- aUniversidade da Amazônia
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Abstract
Doença de Chagas Aguda (DCA) constitui um importante desafio de saúde pública na região Amazônica, especialmente no Estado do Pará, onde a via oral de transmissão vem se consolidando como principal forma de infecção. A expansão da cadeia produtiva artesanal de açaí e a interação entre fatores ambientais, socioeconômicos e culturais têm contribuído para a persistência e dispersão territorial da doença. Nesse contexto, compreender a dinâmica epidemiológica da DCA é fundamental para subsidiar estratégias de prevenção. Este trabalho teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos casos DCA notificados no Estado do Pará, Brasil, entre 2015 e 2023. Foram utilizados dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS), sendo incluído todos os casos de DCA (CID-10: B57.0) notificados no período investigado. As variáveis analisadas abrangeram aspectos sociodemográficos, clínicos e epidemiológicos. Foram registrados 20.612 casos de DCA. O sexo masculino foi predominante (52,5%), com maior incidência entre indivíduos pardos (84,4%) e baixa escolaridade. A transmissão por via oral foi o principal antecedente epidemiológico (77,6%), e os municípios de Abaetetuba, Belém e Cametá concentraram mais de 40% das notificações. A maioria dos casos evoluiu para cura (79,1%), e a letalidade foi baixa (0,2%). A DCA permanece como um importante agravo de saúde pública no Pará, associada principalmente à transmissão oral. Os resultados destacam a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e sanitária, aprimorar o controle da cadeia produtiva de alimentos regionais e investir em educação em saúde e diagnóstico precoce.

