Uso de plantas medicinais e educação em saúde em comunidade remanescente de quilombo do Estado do Pará
Priscila de Nazaré Quaresma Pinheiro, Emmily Oliveira Amadora b, Ana M. C. Santos, Adriano Felipe Barbosa Castro, Dayana de Barros Sandim, Arnaldo Jorge Martins Filho, Karla Valéria Batista Lima
- aBelém -Pará
- bMestre em Biologia Parasitária na Amazônia Instituição : Universidade do Estado do Pará Endereço : Belém -Pará , Brasil
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Abstract
A partir da diáspora africana e da resistência ao regime escravagista, os quilombos emergiram como espaços de liberdade e preservação cultural. Hoje, as Comunidades Remanescente de Quilombo (CRQ) enfrentam desigualdades nos Determinantes Sociais da Saúde, o que impulsiona o uso de saberes tradicionais, como o uso de plantas medicinais, prática herdada por gerações. O estudo objetiva descrever o uso de plantas medicinais pela Comunidade Remanescente de Quilombo São Luís Tambaí-Açu, localizada em Mocajuba (PA). Trata-se de estudo descritivo e exploratório, onde foi aplicado questionário semiestruturado com perguntas sobre uso de plantas medicinais. Sendo realizada uma pesquisa com 83 chefes de família, dos quais 83,13% relataram cultivar plantas medicinais. Foram identificadas 39 espécies, sendo as mais citadas: hortelã, boldo, verga-morta, erva-cidreira e urtiga. Com base nas respostas, foi promovida uma ação educativa com a construção de um horto medicinal, envolvendo todas as faixas etárias da comunidade. A atividade integrou práticas de educação em saúde com valorização da cultura local. A análise demonstrou que, embora comuns, muitas plantas possuem contraindicações, interações medicamentosas e efeitos adversos, reforçando a necessidade de seu uso racional. O estudo conclui que o uso de plantas medicinais constitui um elemento essencial do cuidado tradicional e da identidade quilombola. A construção do horto representou não só uma ação educativa, mas também o fortalecimento do pertencimento, da autonomia e da valorização da ancestralidade afrodescendente, propondo um diálogo entre o saber popular e o conhecimento científico.

