O estatuto da informação na historiografia da atividade científica:
Lucas George Wendta, Ana Maria Mielniczuk de Mouraa, Sônia Elisa Caregnatob
- aUniversidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
- bUniversidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
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Abstract
Introdução e objetivos: A História da Ciência, um subcampo da História, tradicionalmente foca em categorias como ideias, teorias e contextos socioculturais, negligenciando a conceituação explícita da informação como categoria analítica, apesar de os processos informacionais serem estruturantes da atividade científica. O foco historiográfico geralmente recai sobre o documento em detrimento da problematização dos fluxos informacionais. Diante dessa lacuna, o trabalho questiona o estatuto do conceito de informação na História da Ciência, hipotetizando que a historiografia opera sem uma teoria explícita da informação. O objetivo geral é analisar a incorporação da informação como categoria analítica na História da Ciência, utilizando como referência a obra The Cambridge History of Science. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de análise qualitativa, empregando técnicas de análise documental e de conteúdo. O corpus de análise foi a coleção de oito volumes de The Cambridge History of Science. Foram localizadas 70 ocorrências do termo ‘information’ nos volumes digitais, as quais foram examinadas em contexto e confrontadas com o modelo do ciclo informacional proposto por Borko (1968), que define a informação como passível de ser gerada, coletada, organizada, interpretada, armazenada, recuperada, disseminada e transformada. Resultados: A análise demonstrou que The Cambridge History of Science mobiliza amplamente os processos do ciclo informacional de Borko (1968), mas sem explicitá-los como uma categoria teórica. A informação opera de forma implícita, subsumida a artefatos documentais e seus circuitos, que assumem a centralidade analítica. Observa-se um investimento consistente nas infraestruturas documentais e nos meios de circulação (como tabuletas, manuscritos, imprensa tipográfica, redes epistolares e enciclopédias), através dos quais a informação adquire materialidade, estabilidade e mobilidade. A ênfase recai sobre os meios que estruturam e armazenam mais do que sobre o conteúdo informacional em si. A obra pode ser reinterpretada como uma descrição indireta e abrangente do ciclo informacional em ciência, na qual cada etapa do ciclo é dissolvida em uma narrativa focada nas mediações materiais e institucionais. Conclusões: Os resultados empíricos preliminares indicam que, embora a História da Ciência não possua uma teoria explícita da informação, a narrativa historiográfica examinada pode ser lida como a história da materialização, circulação e operacionalização da informação ao longo do tempo. A presença implícita de todos os elementos do ciclo da informação (Borko, 1968) confirma a hipótese do estudo, sendo que essa leitura crítica preenche a lacuna teórica na História da Ciência e abre caminho para um diálogo epistemológico mais profundo entre a Ciência da Informação e a historiografia científica.

